sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

'Promessas e Dívidas'

'Olharei as coisas de um jeito diferente'

Essa tinha sido a promessa de Carl ao seu melhor amigo desde à sua morte. Ele ficara chocado como todos os outros membros da família de John, um menino tão querido por todos, justo ele morrer daquele jeito? Apenas Carl sabia o porquê John fora morto daquele jeito brutal. Era uma noite de inverno como todas as outras, céu aberto com todas as constelações e aquele vento frio cortante que chegava a penetrar o corpo de qualquer pessoa nas ruas. Carl e John estavam andando tranqüilamentes em volta da orla do parque:

'Pare de ser besta John, você não conseguiria'
'Duvida da minha pessoa? Um absurdo'
'Você não aguenta nem meia garrafa, imagine duas'
'Tanto faz, eu sei que conseguiria'

Enquanto a discussão acabava, Carl ainda reboava em seus pensamentos, idéias de como convencer sua mãe, para deixar ele ir acampar com John. Apenas os dois e seus segredos, um que ninguém até então imaginara. Ouvia-se passos apressados logo mais atrás e os dois viraram para olhar, coisa que não deviam ter feito. Carl por sua vez, não via nada além de árvores e arbustos balançando vigorosamente sobre seus eixos, mas John ficara espantado:

'John? Que foi, você está branco'
'Carl, foge agora'
'Não vou te deixar sozinho, não há nada aqui'
'Você não vê?'
'Ver o que John? As árvores balançando? Vejo sim'
'Não, aquele homem com um taco de baseball' - John olhara novamente, mas não via absolutamente nada -
'CARL FOGE AGORA' - e John por sua vez, abraçou ele, afastou-se e lhe deu um beijo -
'O que você fez John?'
'Meu maior segredo, sempre te amei mas nunca pude me espressar, a príncipio eu sabia que anjos não sentiam, mas com você foi diferente Carl, você despertou algo que nesses 100 anos nunca havia sentido'
'Você está delirando John! Tem apenas 17 anos'
'FOGE'

Quando Carl abriu os olhos, viu-se na calçada, na frente de um corpo, aquele que antes pertencia a John. Desesperado agarra-se ao mesmo e começa a chorar. John não reagia, ele bateu em sua cara, abriu os seus olhos e simplesmente nada. Não havia nenhum sinal de luta, nenhuma mancha de sangue ou qualquer outra coisa que insunua-se a morte ou um possível ferimento grave. E num impulso, Carl beija os lábios daquele corpo morto, de matéria vazia e algo reanima.
Um ectoplasma azul vivo, aparece sentado ao lado dele, com aquele sorriso que contagia qualquer pessoa em seu dia de mau humor, o sorriso de John. Com lágrimas escorrendo involuntariamente de seu rosto, Carl menciona falar algo, mas com apenas um dedo ele o cala:

'Não diga nada Carl. Fui seu protetor desde seu primeiro dia aqui. Me apaixonei por você, como nunca me apaixonei por ninguém e infelizmente isso me custou a morte. Mas não fique triste, estarei ao seu lado em todos os momentos, nunca te abandonarei. Só me faça um favor meu bom amigo, preste atenção em tudo, pois quando puder aparecerei de forma inusitada. Te Amo Carl e esse definitivamente é pra sempre'

E assim o ectoplasma se foi, deixando Carl agonizado, mas só em uma coisa ele pensou, na promessa que fez a John: 'Olharei as coisas de um jeito diferente' e assim fechou os olhos, abriu um sorriso, que na certa seria a herança material de John e beijou a boca que horas antes nunca imaginara beijar.

Um comentário:

Natália disse...

Bieeel... vc que escreveu esse conto? achei lindo... tô virando muuito sua fã!



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