quinta-feira, 16 de setembro de 2010

'Weakness'

Vejo sorrisos tortos em caras retas. Lágrimas de felicidade em caras de angústia. Vejo você em cada rosto que ignoro. Lembro, infelizmente ou não, do toque da tua pele quando lavo as mãos. Você ignora... Ignora todos os sinais que te mando. Quero te matar, mas ao mesmo tempo desejo o teu bem. Nosso relacionamento - se é que posso dar nome aos bois – baseia-se na confusão. O meu orgulho e o teu, não conseguem ocupar o mesmo espaço. Mas o curioso é que os dois ficam mansos quando ficamos juntos. Minha alma já é velha. Está cansada de jogos amorosos. Ela só está a procura de alguém que a faça sentir-se jovem novamente...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

'Ócio do avesso'

Falta areia na ampulheta, faltam os ponteiros no relógio, a bateria de lítio no contador digital e aquele pássaro simpático não canta mais pra mim. A vitamina D foge da minha pele, enquanto o tom prateado me induz noite adentro. Falta-me tempo. Não consigo folhear as páginas da minha crônica preferida ou degustar um café da manhã caprichado. Troquei os carboidratos pela fumaça do bom e velho cigarro. Minha cama não me quer mais, o lençol aprendeu a rejeitar minha pele e o travesseiro já não é tão confortável...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

'Uma lasca de um espelho quebrado'

- Quantas mudanças. Quem diria que isso tudo aconteceria em menos de três semanas.
- É, eles esconderam o ouro de mim.
- Mas você ainda não conseguiu tudo, certo? Sei que a tua felicidade, ainda está incompleta.- Devo admitir, mas, em partes.
- Não me engane.
- Não consigo te enganar. Você sabe melhor que eu.
- Hum, acho bom mesmo.
- Vou tentar, quem sabe consigo um progresso?
- Ou um belo regresso, não é mesmo?
- Pessimista...
- Sou apenas o teu reflexo.
- Às vezes, desejo que você não fosse nada meu, apenas alguém que encontrei pela rua.
- Nem tudo é perfeito.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

'Eu, eu mesmo e um espelho'

- Cansei. Na verdade, estou cansado. Melhor, sem paciência.
- Mas já?
- Não fala isso. Faz tanto tempo que não perco a paciência...
- É mesmo. Lembra da última vez? Você até chorou de tanta raiva.
- Então essa é a primeira vez que você concordará comigo?
- Nada é impossível.
- Você sabe que eu já penso o contrário.
- Você está uma merda.
- Por que será? A culpa é sua!
- Não, não, não. A culpa nunca foi minha. Ela é toda sua. Você fica matutando o dia inteiro para achar uma resposta plausível. Mesmo sabendo que isso não cabe a você.
- Você, você, você. Muda o pronome.
- Isso é impossível.
- Boa, começa a se contradizer.
- Eu posso, já...
-... Você.
- Garoto esperto.
- Não, você que é previsível.
- Será?
- Para de graça.
- Outra coisa que percebi. Pessimismo
- Da minha parte?
- Da minha que não seria, sou o otimismo em espírito.
- O que adianta o teu otimismo, se o mundo não quer que eu consiga a resposta certa?
- Talvez não seja a hora. Já parou para refletir sobre isso?

domingo, 11 de julho de 2010

'Reflexo'

- Você tem noção que isso está acabando com a sua vida?
- Tenho.
- Então por que não parte pra outra?
- Porque sempre que tento, acontece alguma coisa que me faz voltar atrás. Você acha que eu não gostaria de ser livre?
- Nessa altura do campeonato? Não sei.
- Ok, confesso que não quero me desprender.
- Sabia.
- Sabia nada. Você é o primeiro a se entregar. É por você que volto atrás
- Não minta. Assume que você é um fraco. Assume pra si mesmo.
- Não sou.
- Fala a verdade.
- Foda-se. A mentira é minha.
- E ela te deixa feliz? Mesmo não sendo verdadeira?
- Depende do dia.
- Você também sabe que está desperdiçando várias chances com esta aposta, não sabe?
- Claro.
- Vou te perguntar novamente: isso te deixa feliz?
- Atônito seria melhor.
- Otário.
- Quem sabe...

terça-feira, 22 de junho de 2010

'03:57'

[...] Os dois se enroscaram no tapete e trocaram carinhos por algum tempo. Pedro estava adormecido sobre o peito de João quando acordou escutando-o chamar um nome. Um nome que não era o dele. Levantou num salto e ficou ao lado dele, ouvindo o que dizia: - Para, Andre - sussurou João enquanto virava para a esquerda.

Surpreso, Pedro foi até a cozinha buscar um copo d'água e quando voltou, sentou-se no braço do sofá. Ele encarava a inocência de João. Confuso com o que acabara de ouviur, procurou o maço de cigarro. Abre uma banda da janela e pensa sobre quanto tempo não colocava um cigarro na boca.


Na metade do fumo, o garoto do tapete abriu os olhos:
- Estou em choque! Você fumando? O que aconteceu? Insônia?

- Algo do tipo - retrucou enquanto soltava a fumaça do trago.
- Entendo... Deite-se, quem merece a massagem é você.
- Não precisa, apenas me responda quem é André.
- Como?
- Não se faça de tonto!
- Um ex-namorado - falou num tom sério.
- Você ainda gosta dele? - perguntou com receio
- Nunca menti para você. Talvez sim - retrucou com medo e desviou os olhos.
- Fui fiel com você. Podia ter me poupado da verdade, doiria menos.
- Para te poupar de uma dor repentina? Não, antes tarde do que nunca. Quem ama também machuca.
- Quem ama cuida! - os olhos estavam cheios.
- É, mas você não pensou que amar também é querer a felicidade do outro, mesmo que seja longe dele.
- Por que, João?
- A resposta dessa é a mesma do porquê de você ter me escolhido.
- Não seja ridículo fazendo-se de coitado!
- Não preciso disso. Sempre soube que um dia te veria partir.
- Como você consegue ser tão frio?
- É pra você me odiar mais rápido e me esquecer mais fácil - uma lágrima caiu antes que pudesse ter controlado.
- VAI EMBORA E SOME DA MINHA VIDA!
- Se depender de mim, nunca mais terá notícias.
- Assim espero.


João juntou tudo em trinta minutos e antes de fechar a porta da sala, encarou os movéis e Pedro, depois pensou: "você vai sobreviver sem mim. Será difícil nos primeiros dias, pior nas primeiras semanas e agonizante nos primeiros meses. Mas sei que conseguirá. Afinal, enfrentou a família por mim. Rompeu preconceitos e barreiras para estar comigo. Sei que quando olhar para trás, verá uma cicatriz aberta, mas será por seis meses no máximo. Você é forte e só eu sei o quanto. Já não posso dizer o mesmo de mim." E fechou a porta.
- Não precisa mais me ameaçar, ou correr atrás do Pedro. Ele saiu da minha vida. Simplesmente acabou. Agora me esqueça.



João desligou o celular e chorou. Era uma noite acolhedora para os fracassados.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

'01:13'

Plausível. Quem sabe o futuro seja a felicidade dos dois? Só o tempo vai dizer. E se você se sente bem com ele, estarei feliz. Antes de tudo quero a tua felicidade e bem estar. Se você tiver de ser feliz com um cara que as pessoas achem que não seja o certo mas que você se sinta bem, você ficará com ele. Não te chamarei de escrota ou começarei a vociferar palavrões porque sei como é isso. Sinto saudade de uma pessoa ainda e não duvido que voltaria com ela se pudesse. Afinal, foi ao lado dela que aconteceram os momentos mais felizes que tive até hoje.