Gosto de você. Gosto da sensação que você me traz. Do desejo que você desperta em mim. O jeito que você me acolhe em dias quentes e como me deixa com raiva quando a temperatura cai. Também gosto do jeito que você me destrói... Desarruma meu cabelo, bagunça minha franja. E os cheiros que me mostra? Por ora deliciosos por ora péssimos e pútridos... Não posso reclamar do jeito que você afaga a minha face, o tanto de vezes que me faz piscar, o ar que você me tira enquanto me toca. Você também consegue me deixar com vergonha... Encabulado. Mas a minha consideração final é o instinto selvagem que você desperta em mim. A vontade insana de correr sem destino, ou qualquer preocupação que bombardeie minha mente de pensamentos insólitos.
Eu gosto de você, vento.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
'Perfil de um quinta-feira noturna'
Usuário de maconha, com dois filhos e viúvo. O nome do filho é Victor e tem dez anos. O da menina é Victoria é tem oito anos. Ele não sabe como está a filha porque ela não vive com ele. Já o filho é o seu maior orgulho, com os trinta e cinco quilos bem distribuídos e quase da altura do pai. Apto da luxúria e frequentador do 69, gasta R$ 200 para escolher a meretriz que quiser. Seu nome é Douglas e o apelido é Doguinha. Um andarilho bêbado ou mais um que a vida cegou de desgosto? (G.C.)
* Baseado numa história real
* Baseado numa história real
domingo, 17 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
.
São 23:23. De ontem para hoje, dormi apenas três horas e meia. Minha gastrite está atacada e isso me deixa com mais fome. Fumo um cigarro na área de serviço do meu apartamento. Encaro o mundo com olhos esfumaçados. Quero parar. Quero chorar. Quero correr e gritar para o mundo que cansei de brincadeiras e jogos idiotas. Que as pessoas só perdem com eles. Perdem. Perdem tempo, amor, sexo e amizade. Mas também ganham. Ganham frieza e um coração peludo e sem sentimentos. Me apaixono fácil por qualquer cara que disser meia dúzia de coisas fofas e um punhado de besteiras.
sábado, 9 de abril de 2011
'Wake Up'
Visualize um céu de cor indefinida. Ao mesmo tempo que ele parece roxo, suas nuvens são laranjas e uma luz se materializa no horizonte. Agora, sinta a grama molhando as vestimentas, enquanto deita lentamente. Feche os olhos e escute a batida perfeita. Esqueça as vozes e mantenha o foco no instrumental... Respire, transpire, toque. Está na hora de acordar para a realidade.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
'Cartas de um suicídio'
Não posso dizer que não tentei. Que desiste na primeira ocorrência de dor, que chorei quando vi uma gota de sangue. Não posso, não agora. O que farei com todos os avanços? E contra o quê estou lutando? Sou hipócrita, frágil, fracote, um verdadeiro frangote. Um bastardo da noite sedento por conhecimento, peles e perfumes. Sou um babaca. Por trás dessa altura toda escondo um aspirante a homem. Sou um espírito que espreita a tua alma na esquina, às três da manhã. Sou a morte com a foice, o índio com a flecha, o caçador com a arma. Quero uma vítima para colocar a culpa dos meus atos. Não desejo culpar pessoas. A vida já faz isso por mim. Também não quero que elas sofram, claro, não intencionalmente. A bipolaridade de um psicopata... Seria este o vocábulo certo? Foda-se a literatura e até mesmo o cinema. Não sou visual e nem auditivo. Sou cinestésico até que o próximo psiquiatra prove o contrário. A única amiga que tenho nesta hora é a depressão.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
sábado, 16 de outubro de 2010
'Isqueiro'
Tabaco, o corpo dele cheirava tabaco. Roupas no chão e um cigarro entre os dedos. Ele só precisava disso. Não gostei de quando me apaixonei por ele - só fiquei sabendo semanas depois, quando o cérebro havia implantado a ideia. Gostava do jeito que o lençol enroscava nele, do cabelo desgrenhado e de quando falava com o cigarro no canto da boca. Não deveria ter aberto a porta. Melhor, deveria ter ficado em casa no dia que o conheci. Não sou uma boa pessoa. Sou louco, ansioso, impulsivo, imprudente e não cedo às vontades de ninguém. Às vezes, tenho a certeza que de o meu destino é ficar sozinho e que ninguém vai me adestrar. Sou o meu melhor amigo, mas também sou o meu pior inimigo. Consigo destruir relacionamentos de semanas em minutos. As palavras que uso são tão afiadas quanto a faca de Jack numa noite soturna em Londres.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
'Weakness'
Vejo sorrisos tortos em caras retas. Lágrimas de felicidade em caras de angústia. Vejo você em cada rosto que ignoro. Lembro, infelizmente ou não, do toque da tua pele quando lavo as mãos. Você ignora... Ignora todos os sinais que te mando. Quero te matar, mas ao mesmo tempo desejo o teu bem. Nosso relacionamento - se é que posso dar nome aos bois – baseia-se na confusão. O meu orgulho e o teu, não conseguem ocupar o mesmo espaço. Mas o curioso é que os dois ficam mansos quando ficamos juntos. Minha alma já é velha. Está cansada de jogos amorosos. Ela só está a procura de alguém que a faça sentir-se jovem novamente...
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
'Ócio do avesso'
Falta areia na ampulheta, faltam os ponteiros no relógio, a bateria de lítio no contador digital e aquele pássaro simpático não canta mais pra mim. A vitamina D foge da minha pele, enquanto o tom prateado me induz noite adentro. Falta-me tempo. Não consigo folhear as páginas da minha crônica preferida ou degustar um café da manhã caprichado. Troquei os carboidratos pela fumaça do bom e velho cigarro. Minha cama não me quer mais, o lençol aprendeu a rejeitar minha pele e o travesseiro já não é tão confortável...
quinta-feira, 22 de julho de 2010
'Uma lasca de um espelho quebrado'
- Quantas mudanças. Quem diria que isso tudo aconteceria em menos de três semanas.
- É, eles esconderam o ouro de mim.
- Mas você ainda não conseguiu tudo, certo? Sei que a tua felicidade, ainda está incompleta.- Devo admitir, mas, em partes.
- Não me engane.
- Não consigo te enganar. Você sabe melhor que eu.
- Hum, acho bom mesmo.
- Vou tentar, quem sabe consigo um progresso?
- Ou um belo regresso, não é mesmo?
- Pessimista...
- Sou apenas o teu reflexo.
- Às vezes, desejo que você não fosse nada meu, apenas alguém que encontrei pela rua.
- Nem tudo é perfeito.
- É, eles esconderam o ouro de mim.
- Mas você ainda não conseguiu tudo, certo? Sei que a tua felicidade, ainda está incompleta.- Devo admitir, mas, em partes.
- Não me engane.
- Não consigo te enganar. Você sabe melhor que eu.
- Hum, acho bom mesmo.
- Vou tentar, quem sabe consigo um progresso?
- Ou um belo regresso, não é mesmo?
- Pessimista...
- Sou apenas o teu reflexo.
- Às vezes, desejo que você não fosse nada meu, apenas alguém que encontrei pela rua.
- Nem tudo é perfeito.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
'Eu, eu mesmo e um espelho'
- Cansei. Na verdade, estou cansado. Melhor, sem paciência.
- Mas já?
- Não fala isso. Faz tanto tempo que não perco a paciência...
- É mesmo. Lembra da última vez? Você até chorou de tanta raiva.
- Então essa é a primeira vez que você concordará comigo?
- Nada é impossível.
- Você sabe que eu já penso o contrário.
- Você está uma merda.
- Por que será? A culpa é sua!
- Não, não, não. A culpa nunca foi minha. Ela é toda sua. Você fica matutando o dia inteiro para achar uma resposta plausível. Mesmo sabendo que isso não cabe a você.
- Você, você, você. Muda o pronome.
- Isso é impossível.
- Boa, começa a se contradizer.
- Eu posso, já...
-... Você.
- Garoto esperto.
- Não, você que é previsível.
- Será?
- Para de graça.
- Outra coisa que percebi. Pessimismo
- Da minha parte?
- Da minha que não seria, sou o otimismo em espírito.
- O que adianta o teu otimismo, se o mundo não quer que eu consiga a resposta certa?
- Talvez não seja a hora. Já parou para refletir sobre isso?
- Mas já?
- Não fala isso. Faz tanto tempo que não perco a paciência...
- É mesmo. Lembra da última vez? Você até chorou de tanta raiva.
- Então essa é a primeira vez que você concordará comigo?
- Nada é impossível.
- Você sabe que eu já penso o contrário.
- Você está uma merda.
- Por que será? A culpa é sua!
- Não, não, não. A culpa nunca foi minha. Ela é toda sua. Você fica matutando o dia inteiro para achar uma resposta plausível. Mesmo sabendo que isso não cabe a você.
- Você, você, você. Muda o pronome.
- Isso é impossível.
- Boa, começa a se contradizer.
- Eu posso, já...
-... Você.
- Garoto esperto.
- Não, você que é previsível.
- Será?
- Para de graça.
- Outra coisa que percebi. Pessimismo
- Da minha parte?
- Da minha que não seria, sou o otimismo em espírito.
- O que adianta o teu otimismo, se o mundo não quer que eu consiga a resposta certa?
- Talvez não seja a hora. Já parou para refletir sobre isso?
domingo, 11 de julho de 2010
'Reflexo'
- Você tem noção que isso está acabando com a sua vida?
- Tenho.
- Então por que não parte pra outra?
- Porque sempre que tento, acontece alguma coisa que me faz voltar atrás. Você acha que eu não gostaria de ser livre?
- Nessa altura do campeonato? Não sei.
- Ok, confesso que não quero me desprender.
- Sabia.
- Sabia nada. Você é o primeiro a se entregar. É por você que volto atrás
- Não minta. Assume que você é um fraco. Assume pra si mesmo.
- Não sou.
- Fala a verdade.
- Foda-se. A mentira é minha.
- E ela te deixa feliz? Mesmo não sendo verdadeira?
- Depende do dia.
- Você também sabe que está desperdiçando várias chances com esta aposta, não sabe?
- Claro.
- Vou te perguntar novamente: isso te deixa feliz?
- Atônito seria melhor.
- Otário.
- Quem sabe...
- Tenho.
- Então por que não parte pra outra?
- Porque sempre que tento, acontece alguma coisa que me faz voltar atrás. Você acha que eu não gostaria de ser livre?
- Nessa altura do campeonato? Não sei.
- Ok, confesso que não quero me desprender.
- Sabia.
- Sabia nada. Você é o primeiro a se entregar. É por você que volto atrás
- Não minta. Assume que você é um fraco. Assume pra si mesmo.
- Não sou.
- Fala a verdade.
- Foda-se. A mentira é minha.
- E ela te deixa feliz? Mesmo não sendo verdadeira?
- Depende do dia.
- Você também sabe que está desperdiçando várias chances com esta aposta, não sabe?
- Claro.
- Vou te perguntar novamente: isso te deixa feliz?
- Atônito seria melhor.
- Otário.
- Quem sabe...
terça-feira, 22 de junho de 2010
'03:57'
[...] Os dois se enroscaram no tapete e trocaram carinhos por algum tempo. Pedro estava adormecido sobre o peito de João quando acordou escutando-o chamar um nome. Um nome que não era o dele. Levantou num salto e ficou ao lado dele, ouvindo o que dizia: - Para, Andre - sussurou João enquanto virava para a esquerda.
Surpreso, Pedro foi até a cozinha buscar um copo d'água e quando voltou, sentou-se no braço do sofá. Ele encarava a inocência de João. Confuso com o que acabara de ouviur, procurou o maço de cigarro. Abre uma banda da janela e pensa sobre quanto tempo não colocava um cigarro na boca.
Na metade do fumo, o garoto do tapete abriu os olhos:
- Estou em choque! Você fumando? O que aconteceu? Insônia?
- Algo do tipo - retrucou enquanto soltava a fumaça do trago.
- Entendo... Deite-se, quem merece a massagem é você.
- Não precisa, apenas me responda quem é André.
- Como?
- Não se faça de tonto!
- Um ex-namorado - falou num tom sério.
- Você ainda gosta dele? - perguntou com receio
- Nunca menti para você. Talvez sim - retrucou com medo e desviou os olhos.
- Fui fiel com você. Podia ter me poupado da verdade, doiria menos.
- Para te poupar de uma dor repentina? Não, antes tarde do que nunca. Quem ama também machuca.
- Quem ama cuida! - os olhos estavam cheios.
- É, mas você não pensou que amar também é querer a felicidade do outro, mesmo que seja longe dele.
- Por que, João?
- A resposta dessa é a mesma do porquê de você ter me escolhido.
- Não seja ridículo fazendo-se de coitado!
- Não preciso disso. Sempre soube que um dia te veria partir.
- Como você consegue ser tão frio?
- É pra você me odiar mais rápido e me esquecer mais fácil - uma lágrima caiu antes que pudesse ter controlado.
- VAI EMBORA E SOME DA MINHA VIDA!
- Se depender de mim, nunca mais terá notícias.
- Assim espero.
João juntou tudo em trinta minutos e antes de fechar a porta da sala, encarou os movéis e Pedro, depois pensou: "você vai sobreviver sem mim. Será difícil nos primeiros dias, pior nas primeiras semanas e agonizante nos primeiros meses. Mas sei que conseguirá. Afinal, enfrentou a família por mim. Rompeu preconceitos e barreiras para estar comigo. Sei que quando olhar para trás, verá uma cicatriz aberta, mas será por seis meses no máximo. Você é forte e só eu sei o quanto. Já não posso dizer o mesmo de mim." E fechou a porta.
- Não precisa mais me ameaçar, ou correr atrás do Pedro. Ele saiu da minha vida. Simplesmente acabou. Agora me esqueça.
João desligou o celular e chorou. Era uma noite acolhedora para os fracassados.
Surpreso, Pedro foi até a cozinha buscar um copo d'água e quando voltou, sentou-se no braço do sofá. Ele encarava a inocência de João. Confuso com o que acabara de ouviur, procurou o maço de cigarro. Abre uma banda da janela e pensa sobre quanto tempo não colocava um cigarro na boca.
Na metade do fumo, o garoto do tapete abriu os olhos:
- Estou em choque! Você fumando? O que aconteceu? Insônia?
- Algo do tipo - retrucou enquanto soltava a fumaça do trago.
- Entendo... Deite-se, quem merece a massagem é você.
- Não precisa, apenas me responda quem é André.
- Como?
- Não se faça de tonto!
- Um ex-namorado - falou num tom sério.
- Você ainda gosta dele? - perguntou com receio
- Nunca menti para você. Talvez sim - retrucou com medo e desviou os olhos.
- Fui fiel com você. Podia ter me poupado da verdade, doiria menos.
- Para te poupar de uma dor repentina? Não, antes tarde do que nunca. Quem ama também machuca.
- Quem ama cuida! - os olhos estavam cheios.
- É, mas você não pensou que amar também é querer a felicidade do outro, mesmo que seja longe dele.
- Por que, João?
- A resposta dessa é a mesma do porquê de você ter me escolhido.
- Não seja ridículo fazendo-se de coitado!
- Não preciso disso. Sempre soube que um dia te veria partir.
- Como você consegue ser tão frio?
- É pra você me odiar mais rápido e me esquecer mais fácil - uma lágrima caiu antes que pudesse ter controlado.
- VAI EMBORA E SOME DA MINHA VIDA!
- Se depender de mim, nunca mais terá notícias.
- Assim espero.
João juntou tudo em trinta minutos e antes de fechar a porta da sala, encarou os movéis e Pedro, depois pensou: "você vai sobreviver sem mim. Será difícil nos primeiros dias, pior nas primeiras semanas e agonizante nos primeiros meses. Mas sei que conseguirá. Afinal, enfrentou a família por mim. Rompeu preconceitos e barreiras para estar comigo. Sei que quando olhar para trás, verá uma cicatriz aberta, mas será por seis meses no máximo. Você é forte e só eu sei o quanto. Já não posso dizer o mesmo de mim." E fechou a porta.
- Não precisa mais me ameaçar, ou correr atrás do Pedro. Ele saiu da minha vida. Simplesmente acabou. Agora me esqueça.
João desligou o celular e chorou. Era uma noite acolhedora para os fracassados.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
'01:13'
Plausível. Quem sabe o futuro seja a felicidade dos dois? Só o tempo vai dizer. E se você se sente bem com ele, estarei feliz. Antes de tudo quero a tua felicidade e bem estar. Se você tiver de ser feliz com um cara que as pessoas achem que não seja o certo mas que você se sinta bem, você ficará com ele. Não te chamarei de escrota ou começarei a vociferar palavrões porque sei como é isso. Sinto saudade de uma pessoa ainda e não duvido que voltaria com ela se pudesse. Afinal, foi ao lado dela que aconteceram os momentos mais felizes que tive até hoje.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
'01:01'
A janela de alumínio estava entreaberta. Era inverno em São Paulo. Uma brisa gelada invadia o quarto iluminado pelo abajur, que repousava no criado mudo, do lado direito da cama.
- Chorando? – perguntou o garoto que estava encostado na porta.
- A história de Harvey Milk me comove – replicou o outro que estava deitado do lado esquerdo do leito.
- Devo concordar. Já comeu?
- Não, estava te esperando. Mas, já fiz o jantar.
- Que progresso. Você na cozinha – disse em tom zombeteiro.
- Pedro, para de ser babaca. Você sabe que sempre cozinhei. Só não faço mais vezes porque você monopoliza a cozinha.
- Quanto drama, João.
- A lasanha está no microondas. É de quatro queijos.
- Garoto esperto.
- O chefe me ensinou.
Pedro tirou o terno e ficou apenas de cueca boxer. João alternava os olhos entre a televisão e ele, que se sentia intimidado pelos olhares.
- Que foi? Alguma coisa errada?
- Nada, só estava pensando no quão sortudo eu sou.
- Já vai começar com essa história?
- Não é história. É a verdade.
- Discutiremos depois do jantar, porque agora, meu estômago está corroendo as próprias paredes.
- Chorando? – perguntou o garoto que estava encostado na porta.
- A história de Harvey Milk me comove – replicou o outro que estava deitado do lado esquerdo do leito.
- Devo concordar. Já comeu?
- Não, estava te esperando. Mas, já fiz o jantar.
- Que progresso. Você na cozinha – disse em tom zombeteiro.
- Pedro, para de ser babaca. Você sabe que sempre cozinhei. Só não faço mais vezes porque você monopoliza a cozinha.
- Quanto drama, João.
- A lasanha está no microondas. É de quatro queijos.
- Garoto esperto.
- O chefe me ensinou.
Pedro tirou o terno e ficou apenas de cueca boxer. João alternava os olhos entre a televisão e ele, que se sentia intimidado pelos olhares.
- Que foi? Alguma coisa errada?
- Nada, só estava pensando no quão sortudo eu sou.
- Já vai começar com essa história?
- Não é história. É a verdade.
- Discutiremos depois do jantar, porque agora, meu estômago está corroendo as próprias paredes.
domingo, 30 de maio de 2010
'04:39'
São 04h39min da manhã. Uma janela se abre no sexto andar de um edifício na zona sul de São Paulo. Um garoto moreno, na casa dos vinte anos, razoavelmente alto e magro aprecia a vista, enquanto traga um cigarro.
- Insônia? - disse outro rapaz moreno, também na casa dos vinte anos, só que mais alto e forte e que o olhava da porta do quarto.
- Pior. Dor de dente - puxando mais um trago do cigarro.
O garoto da porta se aproxima e o pega pela cintura. O que está fumando usa a mão desocupada para acariciar a nuca do outro.
- Vou pegar uma bebida para nós. Quem sabe, te faça esquecer essa dor chata.
- Aceito aquele vinho que tomamos ontem durante o jantar. Aproveita e traz o cinzeiro para mim, por favor? - esboçando um sorriso de canto de boca.
- O que vossa senhoria desejar - fazendo uma reverência.
- Bobo...
Segundos depois, ele volta apenas com o cinzeiro.
- Não quero que você suje o tapete, acabei de trocar.
- Sorry, Mr. Polite - num tom de zombaria.
- Fuckoff, bastard - mostrando a língua.
O cigarro acabou e ele ainda não tinha voltado com o vinho, João foi até a cozinha.
- Pedro, cadê o... Vinho?
Pedro havia arrumado a mesa e, no centro dela, colocou um castiçal.
- Era surpresa, você chegou tarde e reparei que não tinha comido nada.
- Droga, pensei que tinha sido discreto.
- Você nunca foi, mas me diga, por que chegou tão tarde?
- Já te contei como fica a redação no final do mês. Depois que mandamos a revista para a gráfica, o pessoal resolveu dar uma festa. Devo ter bebido duas cervejas, no máximo.
- Que agora serão misturadas com vinho.
- Estou em casa e do teu lado, qual o problema de uma leve embriaguez?
- Surpreendo-me com você. Sempre com a resposta na ponta da língua.
- Hábitos da profissão, meu caro - mostrou um sorriso torto.
- Sei... O poder de persuasão também é da profissão?
- Não, é charme mesmo. O que teremos para o lanche noturno?
- Macarrão com queijo. Aquele que você tanto ama.
- E que só você sabe fazer.
- Qualquer um faz igual - exibiu uma cara de indiferença.
- Ainda tenho minhas dúvidas. Afinal, não sei se todas, ou todos, possuem um moreno alto e forte que cozinhe melhor que o namorado.
- Chega de elogios por hoje, daqui a pouco vou suspeitar que já esteja bêbado.
- Tu sabes que nunca fui forte para bebida. Ao contrário de você, senhor dos destilados.
Pedro desligou o forno e aproximou-se, João o encarava com um sorriso sacana.
- Sei o que você está pensando e eu não deveria ceder a esse desejo.
- Quando um não quer, dois não brigam - sorrindo.
- Você me entorpece - Pedro sussurou no ouvido de João e ele estremeceu.
- Faço das suas, as minhas palavras, tigrão.
- Malandro, sempre sabe ganhar no jogo da sedução.
- Aprendi com você.
domingo, 23 de maio de 2010
'20:26'
- Não.
- Não, o que?
- Não quero.
- O que você não quer?
- Não quero que você vá.
- Mas preciso ir.
- Quem disse?
- Hm, o relógio.
- Quero que ele pare de funcionar! Já disse para você abdicar da modernidade.
- Impossível.
- Então é impossível?
- Sim.
- Farei greve de sexo, veremos o que se tornará impossível, meu caro.
- Não se atreva!
- O que vai fazer? Bater-me?
- Quem sabe algo pior.
- Do tipo?
- Te asfixiar.
- Já disse, abdica da modernidade e a greve nem precisa começar.
- Também já disse. É impossível.
- Por que?
- Porque já me casei com ela. Você não passa de um simples amante que preenche o meu ócio dominical.
- Não, o que?
- Não quero.
- O que você não quer?
- Não quero que você vá.
- Mas preciso ir.
- Quem disse?
- Hm, o relógio.
- Quero que ele pare de funcionar! Já disse para você abdicar da modernidade.
- Impossível.
- Então é impossível?
- Sim.
- Farei greve de sexo, veremos o que se tornará impossível, meu caro.
- Não se atreva!
- O que vai fazer? Bater-me?
- Quem sabe algo pior.
- Do tipo?
- Te asfixiar.
- Já disse, abdica da modernidade e a greve nem precisa começar.
- Também já disse. É impossível.
- Por que?
- Porque já me casei com ela. Você não passa de um simples amante que preenche o meu ócio dominical.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
'Monólogos de Caio: despedida'
Bom, nunca me dei bem com despedidas. Acho que é isso. Por favor, não me chame de frio, muito menos de iceberg. Na verdade, estou me despedindo para te fazer feliz. Não posso me prender a você, sendo que é quase impossível te ter. Não, não chore. Sabe, você era meu porto seguro. Depositava em ti, todas as minhas loucuras, anseios e desgostos. Te abracei, te amei, chorei demais em teus braços. E não me arrependo de nada. Entenda que quero o teu bem, sempre quis. Você não vai sofrer mais do que eu, sofreremos de maneira igualitária. Mas, longe um do outro. Porém, garanto que você conhecerá uma pessoa maravilhosa, porque você é uma e merece isso. Terá filhos e eles correrão pela casa, num domingo à tarde, enquanto você prepara o churrasco. E eu? Estarei bem, pode ter certeza. E por último, lembre-se que, sempre fui seu. Com amor, Caio.
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